Quinta-feira, 19.11.09

a palavra desta semana no Fotodicionário foi CONDIMENTOS.

Esta a representação que enviei. Frescos uns, secos outros.



publicado por Conceição às 17:42 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.11.09

cansou-me o

liso caminho
sem surpresas.
 
larguei a inútil
bicicleta
parti à aventura.

estou caminhante

publicado por Conceição às 09:25 | link do post | comentar

Quinta-feira, 05.11.09

Esta semana a palavra no Fotodicionário foi esta: PARQUE. Se fores até lá verás um conjunto de representações fotográficas como é usual.

Colaborei com a colagem abaixo e escrevi dois poemas.
Um pode ser lido aqui,o outro em Estranhos Dias e Corpo de Delito 
 
 parque
 
 
no parque a criança brinca
balouça rodopia escorrega
cai levanta-se. recomeça
a corrida. no parque
explora o mundo e
os seus limites.
descobre-os.
mais amplos a cada dia.
 
no parque as latas
sobre rodas dormem.
dormitam hipnotizadas
enfeitiçadas
drogadas pelos tóxicos gases
de que se alimentam.
aguardam os humanos
que as ligam
lhes dão corda.
esperam
trepidantes as vísceras.
 
no parque há um lago
no lago os cisnes deslizam.
um eleva o corpo
abre as imensas asas
estica o já longo pescoço
e canta a vida e a beleza.
num banco
do parque os namorados
olham-se
entrelaçam as mãos
unem as bocas
e sorvem o mel.
 
no parque a criança desliza
escorrega testa-se
e ri da descoberta.
num banco do parque
a mãe fita o filho
que balouça
cabelos ao vento
e sorri grata
pela harmonia
que vê ao seu redor.
 
no parque, entre a sombra
das copas das velhas árvores,
as crianças que já foram,
agora |como as árvores
da sua meninice|  velhos,
ocupam os dias.
jogam ao dominó
às cartas. miram,
de soslaio, as mulheres
que passam,
as jovens meio desnudas
e sentem um frisson
correr-lhes no sangue,
avivar corpo e memórias
latejando vida.
 
no parque, entre pombas,
canteiros, árvores,
flores, crianças que brincam,
velhos que se ocupam
iludindo esperas,
mães que cuidam
a vida flui serena.
 
nas margens do parque,
as latas com rodas,
agora animadas,
rugem largando fumaça.

estou bem

publicado por Conceição às 13:15 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 02.11.09

Pais e filhos uma unidade.

Harmonia e caos, amálgama.
Eterno jogo da verdade
Em que sofre quem mais ama.
 
Genes, sangue e fibra vibram,
Abrem caminhos diversos
Onde se desequilibram
E tortos ficam seus versos
 
Que afinal é seu viver
E se os filhos se perdem
Por atalhos, é bom de ver,
Sofrem os pais também.
 
E é um sofrer sem fim
Sem retorno nem perdão
Pois o pai se crê ruim
De pronto lhe foge o chão.
 
Não é fácil não senhor
Mas há que não esquecer
Que podemos dar amor
Não seu caminho escolher.
 
 
Solidária com o poeta L. F. P. eseu filho B.P.
Conceição Paulino
Domingo, 1 de Novembro de 2009
 

estou entristecida

publicado por Conceição às 11:16 | link do post | comentar

Quinta-feira, 29.10.09

A palavra escolhida por um dos participantes no Fotodicionário desta semana foi "Encaixe".

Na multitude de encaixes fotográficamente representados que me ocorreram optei por este bem simples.

Já no tocante às palavras o poema seguiu rumo bem diverso.

Aqui vos deixo o poema a propósito da palavra "encaixe"

 

perfeição
 
perfeito o encaixe dos corpos
medidas e formas torneadas
para que um do outro sejam
molde e cama.
a cada côncavo vale,
perfeito altaneiro convexo
se aninhando.
supremo
resplendor sobre eles brilhando
de glória os dias nimbando.
 
Conceição Paulino
S. Mamede de Infesta, sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
 (Palavra do Fotodicionário de 22 a 29 Outubro)

estou eu

publicado por Conceição às 13:22 | link do post | comentar

Sexta-feira, 23.10.09

 

da obscuridade
 
nascemos na obscuridade
do ventre onde nunca é noite.
 
entre esforço água e sangue
ultrapassamos a escuridade
do canal e da dor
emergimos para uma
luminosa e clara manhã
|varridas as nuvens|
envoltos em suave
névoa que traz o esquecimento
na fosforescência que a vida
aporta.
 
Conceição Paulino
S. Mamede de Infesta, Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Sobre a palavra OBSCURIDADE, no Fotodicionário de 17 a 22 de Outubro
 
 

estou

publicado por Conceição às 16:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 20.10.09

 

Ao longo dos anos tenho escrito vários textos sobre a rua onde moro a que chamo a “minha rua”.
Dela digo que sendo no meio de uma cidade aparenta uma rua de aldeia pelo sossego, pelos gatos e cães que circulam, pelos galos que pelas cinco horas nos acordam com seu fervoroso cantar, pelos pássaros que nela fazem morada e louvam a vida numa chilreada sem fim dando-nos, no geral, uma sensação de paz e harmonia que logo ao fundo dela se perde no turbilhão dos motores e das pressas.
 
        Dela tenho dito: “a minha rua é um rio”!
É um rio de serenidade e dourada luz por onde o sol entra quando nasce e que toda percorre ao deitar-se assim de nós se despedindo. Sendo um rio de luz e serenidade é também um lugar de segredos e magias de que por vezes logramos desvendar um pouco.
Esta noite, esta madrugada, a minha rua foi, no sentido absoluto, um rio.
As águas que do céu tombaram em catadupa foram de tal ordem que na vigília do sono agradecido não se ouvia chover. Ouvia-se sim um rio bramir na revolta das águas por correndo.
Antes um rio de luz transformada  agora em rio de águas correndo fortes.
 
Conceição Paulino
S. Mamede de Infesta, Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

estou bem

publicado por Conceição às 09:42 | link do post | comentar | ver comentários (2)

generalista sobre literatura e a vida. Assim acaba por integrar análise sócio-política pois toda a vida nela está imersa.
e sobre mim...
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