Sábado, 21 de Março de 2009

 

Chegam as palavras

 

coloridas, na ponta

do lápis

da caneta

do giz...

 

chegam como

molhos de flores

silvestres coloridas

odoríferas.

 

Chegam as palavras

como cactos

eriçados

como cardos

como urtigas

picam, cortam

como facas

estilhaçam

como tiros

dilaceram

como predadores

descarnam

como a morte.

 

 

Chegam as palavras

como sons

pelo ar.

 

Chegam as palavras

como símbolos

no papel

na tela

no vidro

na madeira

no ecran

no ferro

na cal

na pedra

na areia

na pele....

 

chegam as palavras

em qualquer suporte.

 

Chegam as palavras

Pensadas

ditas

de boca, na boca

escritas

ouvidas

lidas.

 

 

Chegam as palavras

 

eruditas

comuns

incomuns

polidas

ordinárias.

 

Chegam as palavras

com uma intenção

exposta

encoberta.

 

Chegam as palavras

 

acolhedoras

frias

de estímulo

de regozijo

de repúdio

de paz

de guerra

de amor

de ódio

de fúria e raiva

chegam as palavras.

 

 

Independentemente de como chegaram

as palavras atingem

os vulneráveis corpos

as serenas expostas almas.

Atingem-nos

sem que lhes saibamos

o porquê.

 

 

Chegam as palavras.

 

Chegam as palavras

embrulhadas

envernizando

ideias.

 

Falsamente neutras

chegam as palavras.

 

Poema meu, PAULINO, Conceição.antologia DezSete.2007. S. Mamede de Infesta: Edium Editores:21


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publicado por Conceição às 11:16 | link do post | comentar | favorito

generalista sobre literatura e a vida. Assim acaba por integrar análise sócio-política pois toda a vida nela está imersa.
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