Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

 

Ao longo dos anos tenho escrito vários textos sobre a rua onde moro a que chamo a “minha rua”.
Dela digo que sendo no meio de uma cidade aparenta uma rua de aldeia pelo sossego, pelos gatos e cães que circulam, pelos galos que pelas cinco horas nos acordam com seu fervoroso cantar, pelos pássaros que nela fazem morada e louvam a vida numa chilreada sem fim dando-nos, no geral, uma sensação de paz e harmonia que logo ao fundo dela se perde no turbilhão dos motores e das pressas.
 
        Dela tenho dito: “a minha rua é um rio”!
É um rio de serenidade e dourada luz por onde o sol entra quando nasce e que toda percorre ao deitar-se assim de nós se despedindo. Sendo um rio de luz e serenidade é também um lugar de segredos e magias de que por vezes logramos desvendar um pouco.
Esta noite, esta madrugada, a minha rua foi, no sentido absoluto, um rio.
As águas que do céu tombaram em catadupa foram de tal ordem que na vigília do sono agradecido não se ouvia chover. Ouvia-se sim um rio bramir na revolta das águas por correndo.
Antes um rio de luz transformada  agora em rio de águas correndo fortes.
 
Conceição Paulino
S. Mamede de Infesta, Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

estou bem

publicado por Conceição às 09:42 | link do post | favorito

De Julia coutinho a 20 de Outubro de 2009 às 10:12
O rio da tua rua foi tão intenso que chegou à minha rua também!
beijinhos


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generalista sobre literatura e a vida. Assim acaba por integrar análise sócio-política pois toda a vida nela está imersa.
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